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“O caso da menina…”

  • 6 de jun. de 2016
  • 2 min de leitura

Semana passada a notícia de uma menina se espalhou pela internet e mobilizou a opinião pública. Milhares de mulheres foram às ruas para exigir mudanças urgentes que o caso só tornou mais evidente. Artistas se mobilizaram em intervenções para conscientizar a população sobre o assunto e autoridades políticas se articulam para votar em regime de urgência uma lei que tramitava já há alguns anos.

Eu tenho certeza absoluta de que enquanto você lia este primeiro parágrafo alguma notícia veio lhe veio à mente, hoje 02 de Junho de 2016 muito provavelmente você pensou no estupro coletivo que houve no Rio de Janeiro, mas poderia ser o caso da menina que foi excomungada por querer abortar e ela tinha menos de 10 anos, poderia ser a menina de 11 anos que fugiu de casa para evitar um casamento forçado, poderia ser a Malala, poderiam ser as meninas que foram sequestradas na África.

O “Caso da Menina” sempre vai nos lembrar de algum tipo de violência contra a mulher, agora se pensarmos nos meninos… eles não são casos, mas são histórias: “A história do garoto que descobriu uma nova civilização Maia”, “A história do garoto de entrou para Havard com menos de 20 anos de idade”, etc etc…

Ontem eu fui à Marcha Contra a Cultura do Estupro com as minhas amigas, foi maravilhoso estar com elas e encontrar outras colegas de faculdade, foi maravilhoso ouvir meu grito fazendo eco e parando a cidade mais uma vez. Fico emocionada em pensar que tantas mulheres pararam algumas horas da sua vida para defender uma única menina, mas é arrasador pensar que essa única garota que nós defendíamos é só mais um entre milhares de outros “caso da menina…”

Nós não estamos sozinhas nessa, mas ainda há tanto para caminhar, tanto pelo que gritar. Cansa o corpo, cansa a voz, cansa o coração, cansa tudo, mas enquanto nossas histórias forem casos e enquanto nossas palmas forem compasso de protesto e não aplauso de comemoração nós continuaremos a lutar.

Leila Satin

Vim do interior para realizar o sonho de estudar em São Paulo e no final descobri que esse é só o começo da viagem. Criei o blog Oficina Põe no Papel, pois na palavra escrita me resolvo e me descubro.

 
 
 

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