top of page

Não só musas, peitos e bundas.

  • 2 de fev. de 2016
  • 3 min de leitura

Motivada pela data, já é Carnaval, o Brasil para, aproveita, brinca, canta, dança (e eu

particularmente gosto do movimento), essa semana resolvi que esse seria o fio condutor do

texto, mulheres e o carnaval, seu papel além da alegoria, do enfeite, além do peito e bunda.

Comecei a puxar na memória as mulheres que fizeram acontecer e transgrediram épocas,

mudaram o carnaval.

Comecei lembrando de Elvira Pagã e Luz del Fuego, depois Dona Ivone

Lara, e o mais recente Ilú Obá de Min, mas como de costume recorri ao querido Google para

tentar captar outros bons nomes, e foi aí que percebi o quão importante poderia ser escrever

sobre essa relação.

Joguei “mulheres carnaval” e foi isso que apareceu:

MUSAS, LINDAS, GOSTOSAS, GATAS, FAMOSAS, e o pior “... seguir os blocos e FICAR COM O

MAXIMO DE MULHERES POSSÍVEL”.

Nesse momento só consegui printar a tela, salvar e dar uma morridinha de leve. É muito

desgosto ver a mulher só nessa situação em uma das datas mais difundidas como cultura

popular brasileira por aí afora.

Tivemos, e temos, grandes e incríveis mulheres por trás e a frente da festa, mas não adianta,

entra ano e sai ano e o que fica é a musa, a gostosa, a fantasia de fulana que caiu e mostrou

“mais do que devia”. A objetificação da mulher grita mais alto que qualquer marchinha, samba

ou axé no Carnaval de todo o país, é lamentável.

Mas, já que – ainda bem – cabe a nós, mulheres, mudar essa história, aqui vai um pouco mais

daquela pequena amostra de mulheres fortes, corajosas e incríveis das quais lembrei, e que de

alguma forma me marcaram como mulher, pessoa e foliã.

P.S.: A autora acredita que cada mulher é dona de si e do seu corpo e escolhe o que quer fazer

com ele e como quer exibi-lo e não deve ser julgada por isso. O problema está em como a

sociedade usa isso, como julga e como torna a mulher objeto.

Elvira Pagã

Veio para afrontar a “moral e os bons costumes” nos anos 40, 50 e 60. Natural de

Itararé (SP) e dona de um corpo escultural, abalava as estruturas por onde passada, sendo

responsável até por um suicídio (da jovem Wanda Eishner, que deixou um bilhete contando

que havia se apaixonado por Elvira).

Com a irmã formou a dupla “Irmãs Pagãs” (13 discos), teve o programa de rádio chamado “Paganíssimo”, na Rádio Nacional e era estrela da famosa Revista Cruzeiro. Foi a primeira mulher a usar biquíni em Copacabana e chegou a posar nua e distribuir suas fotos como cartão de Natal. Era uma das estrelas do carnaval do Copacabana Palace. Sua posição de constante afronta lhe rendeu algumas prisões, e em uma dessas, após os maus tratos sofridos, escreveu um de seus mais famosos sambas, chamado “Cassetete Não” (que por anos foi entoado pelas travestis quando abordadas pela polícia nas ruas do Rio).

Luz del Fuego

Rival declaradíssima de Elvira Pagã, não ficava para trás no quesito afronta a

sociedade. Começou sua carreira como bailarina. Sempre muito livre e muito bem resolvida

com seu corpo, Luz del Fuego costumava frequentar os carnavais nua e com duas cobras

enroladas no pescoço. Apesar da rivalidade, iniciou junto com Elvira Pagã uma revolução social

na época, usando o carnaval para promover sua liberdade como mulher, de exibir e usar seu

corpo como bem entendia. Foi uma das pioneiras no naturismo no Brasil.

Dona Ivone Lara

Nascida em 1921, no Rio de Janeiro, Dona Ivone Lara é sem dúvida a sambista

mais importante da música brasileira. Com a música sempre fazendo parte da família,

aprendeu a tocar cavaquinho aos 12 anos, ensinada pelo tio. Começou a compor muito nova,

porém suas composições não podiam levar seu nome, por ser mulher, então eram divulgadas

com o nome de seu primo. Alcançou o reconhecimento em 1965 com o samba-enredo “Os

Cinco Bailes da História do Rio”, que classificou a Império Serrano em quarto lugar no carnaval

daquele ano. Foi a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de uma escola de

samba.

Ilú Obá de Min

É por concepção um ponto de cultura na cidade de São Paulo, sem fins

lucrativos, que fomenta a cultura africana e afro-brasileira. Além do viés de resgate histórico e

social, trabalha com o emponderamento feminino, em que são as mulheres que movem a

engrenagem, elas que tocam, dançam e administram. É um espaço para a mulher buscar sua

ancestralidade e se fortalecer ainda mais socialmente. Ilú Obá de Min significa “mãos

femininas que tocam para o Senhor Xangô”. Nesse ano o bloco de carnaval do Ilú sai da Praça

da República no dia 05/02 e conta com a participação de Elza Soares.

Carolina Balza

Estudante de Produção Cultural, 23.

Se desconcentra no silêncio.

Ainda acredita na humanidade, mas prefere gatos e livros.

Vai de Alcione a Björk em um minuto.

 
 
 

Comentários


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
bottom of page