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Encontro com a Vida

  • 2 de fev. de 2016
  • 4 min de leitura

O que você faria se tivesse um encontro com a sua Vida? Isso mesmo! Vamos imaginar que a sua Vida sejaum ser separado de você, uma pessoa, e precisa conversar contigo sobre o que você anda fazendo com ela. Como você acha que seria essa conversa?

Eu li um livro com esse tema e isso me fez pensar muito a respeito do que eu faço com a minha própria Vida. Estou escrevendo a letra inicial maiúscula porque separá-la de mim me faz ver o que eu faço com ela e o quanto eu tenho sido negligente. Eu não tive a mesma experiência que a personagem. Minha Vida não marcou um encontro comigo e olha... Ainda bem que não! Ela não deve estar nada satisfeita comigo. Talvez minhas últimas atitudes tenham me deixado em melhor situação com ela, mas quem pode considerar 6 meses diante de 37 anos e meio me comportando como se ela não existisse?

É horrível pensar nas tantas vezes em que eu a deixei de lado, sendo que eu não faria isso com os meus melhores amigos. Por que, então, faço isso com aquela que deveria ser a mais importante?

Nós, mulheres, somos criadas para sermos cuidadoras. Os meninos são os homenzinhos da casa e eles tem apenas a função de proteger as mulheres da família quando o pai não está, ou seja, normalmente, ter o mesmo comportamento machista e dominador. Cuidar mesmo, dividir com a mãe os problemas, as responsabilidades, isso é conosco. A eles, os mimos, a nós, a maturidade precoce. Logo na adolescência passamos a ser ensinadas a nos responsabilizarmos pelos futuros companheiros, então, temos que aprender a cozinhar para conquistar um homem pelo estômago, temos que cuidar muito bem do corpo, pois eles não gostam de mulheres relaxadas. Esperam que sejamos mulheres magras, lindas, inteligentes, porém caladas, sem opiniões fortes a respeito do mundo. Boa menina, boa esposa, boa mãe, boa avó. Até morrer, nosso destino já está escrito e ai da mulher que se rebelar contra isso. “Ela não presta!” dirá a sociedade. É tão fácil assumir esses papéis, que todo o resto fica em segundo plano. Nós passamos a viver no piloto automático, sem parar para pensar no que estamos fazendo. Muitas de nós nem sabem o que querem, o que realmente gostam. O medo da solidão é o maior inimigo dessa mulher que obedece às imposições criadas para ela.

Medo de ficar sozinha, sem namorado ou marido. Medo de ficar sem os filhos e não estou falando de morte. Estou falando das mulheres que são mães e, quando estão sozinhas, pois os filhos estão na escola ou viajaram, nem sabem o que fazer com o seu tempo livre.

Eu nasci em uma família extremamente machista, então, obviamente, fui criada para obedecer e cuidar dos outros. Assim tenho vivido a maior parte da minha vida. Questionando, até, mas sem forças suficientes para abandonar tudo o que me fazia mal. Nós somos criadas com culpa, enquanto os homens são criados com liberdade. Se um homem tomou uma decisão ruim, que afeta outra pessoa, ele fez isso porque é o melhor para todos. Se a mulher faz o mesmo, ela é egoísta, não é parceira. Por todo esse peso, eu fui fazendo o que os outros queriam, o que os outros precisavam, sem pensar no que eu realmente gostava de fazer, ouvir, comer, estudar, comprar, assistir. Foi o feminismo que me fez ver que eu estava me abandonando. Estava insatisfeita, mas não sabia nem por onde começar a consertar a minha vida. Felizmente, após muita desconstrução de padrões e de valores, fui buscando entender quem eu realmente sou e posso dizer que hoje o caminho está menos árduo. Se a minha Vida quiser ter uma conversa comigo, eu vou ser adulta e ouvir todas as reclamações sobre os longos anos de abandono, mas poderei poder pedir desculpas.

Quero dizer que eu sinto muito, que a Vida de mais ninguém vai ser prioridade antes dela. Não porque eu sou egoísta, mas porque isso não é saudável. A nossa Vida tem que estar em primeiro lugar, sempre. Só assim, estando inteiras, podemos ajudar os outros.

O que você tem feito da sua vida? Se você pudesse fazer algo, somente por você, o que seria? Ouça o que a Vida tem a lhe dizer, como se você estivesse ouvindo a sua melhor amiga. É clichê, mas Vida, desse jeito como somos agora, com esses sonhos, vontades, oportunidades, só temos essa. Cuide-se bem! Ninguém pode fazer isso melhor do que você mesma.

Livro citado: A Vez da Minha Vida, de Cecelia Ahern

Bianca Lemos

Escrevo para ser levada a sério, pois quando eu falo, as pessoas prestam mais atenção nas minhas expressões faciais e nos meus gestos expansivos, então o conteúdo se perde ou elas riem.

Sou como uma atriz de cinema mudo. Conforme falo, vou demonstrando o que sinto e aí qualquer assunto sério com uma mulher que arregala e revira os olhos, se sacode inteira para falar, vira apresentação de Stand-up. É tudo culpa do sangue italiano!

 
 
 

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